A recente saída do campeão de tênis Novak Djokovic da Associação de Tenistas Profissionais (PTPA), uma organização que ele ajudou a estabelecer em 2020, revela falhas de governança que os líderes de cibersegurança deveriam estudar atentamente. A decisão de Djokovic de se afastar do sindicato de jogadores que ele cofundou surge do que descreveu como problemas fundamentais com transparência e estruturas de governança — questões que espelham os mesmos desafios que executivos de cibersegurança enfrentam ao construir ou reformar programas de segurança dentro de organizações complexas.
A crise paralela de governança
Quando Djokovic e seu companheiro tenista Vasek Pospisil lançaram a PTPA, sua missão era criar uma voz verdadeiramente independente para tenistas, abordando preocupações de longa data sobre como os órgãos dirigentes do esporte representavam os interesses dos atletas. Seis anos depois, a saída de Djokovic sinaliza que a organização em si sucumbiu às mesmas deficiências de governança que buscava remediar. De acordo com múltiplos relatos, a estrela do tênis expressou preocupações sobre processos de tomada de decisão, transparência nas operações e padrões gerais de governança dentro da PTPA.
Esse padrão deve soar familiar para profissionais de cibersegurança. Com que frequência as equipes de segurança estabeleceram novos frameworks de governança, apenas para descobrir que os próprios frameworks carecem da transparência e responsabilidade necessárias para serem eficazes? A situação da PTPA demonstra que governança não é meramente sobre criar estruturas, mas sobre manter sua integridade através de liderança ética consistente e operações transparentes.
Lições de governança em cibersegurança do esporte
Para Diretores de Segurança da Informação (CISOs) e líderes de segurança, a experiência de Djokovic oferece vários insights críticos:
- Transparência fundacional importa: A PTPA foi criada para abordar lacunas de transparência na governança do tênis, mas aparentemente desenvolveu seus próprios problemas de transparência. Similarmente, programas de cibersegurança frequentemente começam com promessas de relatórios claros e comunicação aberta sobre posturas de segurança, apenas para se tornarem opacos ao longo do tempo conforme pressões políticas aumentam. Manter transparência requer esforço deliberado e contínuo, e salvaguardas institucionais.
- Estruturas de governança precisam de validação independente: As preocupações de Djokovic sugerem mecanismos insuficientes de freios e contrapesos dentro do modelo de governança da PTPA. Em cibersegurança, frameworks de governança devem incluir mecanismos de validação independente — seja através de funções de auditoria interna, avaliações externas ou comitês de supervisão interdepartamentais. Sem estes, a governança de segurança pode se tornar insular e irresponsável.
- Responsabilidade de liderança não pode ser delegada indefinidamente: Como cofundador, Djokovic manteve autoridade moral para apontar falhas de governança, mas sua saída eventual indica que mecanismos de responsabilidade dentro da organização eram insuficientes. Líderes de cibersegurança devem garantir que modelos de governança definam claramente responsabilidade em todos os níveis, com caminhos de escalação que não requeiram ações individuais heroicas para abordar problemas sistêmicos.
O déficit de confiança organizacional
Em sua essência, a saída de Djokovic da PTPA representa uma quebra na confiança organizacional — um fenômeno que equipes de cibersegurança conhecem bem. Quando a governança de segurança carece de transparência, as partes interessadas (sejam funcionários, membros do conselho ou clientes) começam a questionar se decisões de segurança servem interesses organizacionais ou outras agendas. Este déficit de confiança mina programas de segurança mais efetivamente do que qualquer vulnerabilidade técnica.
Pesquisas mostram consistentemente que organizações com frameworks de governança de segurança transparentes experimentam maior conformidade com políticas de segurança, melhor coordenação de resposta a incidentes e gerenciamento de riscos mais eficaz. Ainda assim, muitas organizações continuam tratando a governança de segurança como uma caixa de seleção de conformidade em vez de um mecanismo de construção de confiança.
Construindo governança de segurança resiliente
Aprendendo com o exemplo da PTPA, líderes de cibersegurança devem focar em várias áreas-chave:
- Estabelecer direitos de decisão claros desde a concepção: Definir quem toma quais decisões de segurança, com qual contribuição, e através de quais processos. Documentar estes protocolos e torná-los acessíveis às partes interessadas relevantes.
- Implementar mecanismos de relatórios transparentes: Relatórios regulares e sinceros sobre métricas de segurança, incidentes e decisões de risco constroem confiança organizacional. Evitar "segurança por obscuridade" em questões de governança.
- Criar estruturas de supervisão independentes: A governança de segurança deve incluir perspectivas além da própria equipe de segurança — jurídico, conformidade, líderes de unidades de negócios e potencialmente conselheiros externos.
- Planejar transições de liderança: Modelos de governança devem sobreviver a mudanças de pessoal. Processos documentados, planejamento claro de sucessão e conhecimento institucionalizado previnem degradação da governança quando indivíduos-chave partem.
As implicações mais amplas para a cultura de segurança
A postura pública de Djokovic sobre falhas de governança, apesar de seu investimento pessoal na organização, modela a liderança ética necessária em cibersegurança. Profissionais de segurança frequentemente enfrentam pressão para ocultar vulnerabilidades, minimizar incidentes ou contornar a governança por conveniência. A situação da PTPA nos lembra que segurança sustentável requer líderes dispostos a defender padrões de governança mesmo quando inconveniente.
À medida que a cibersegurança se torna cada vez mais central para a viabilidade organizacional, o campo deve aprender com falhas de governança em todos os setores. O caso da PTPA demonstra que problemas de governança são humanos e organizacionais — não meramente técnicos — e que podem afetar qualquer instituição, independentemente de suas intenções originais.
Seguindo em frente com integridade
A lição final para líderes de cibersegurança é que governança e transparência não são preocupações secundárias a serem abordadas após estabelecer controles técnicos. São elementos fundamentais que determinam se programas de segurança conquistarão e manterão a confiança organizacional. Como Djokovic descobrindo que sua associação de jogadores havia desenvolvido os mesmos problemas de governança que foi criada para resolver, equipes de segurança devem examinar continuamente suas próprias estruturas de governança em busca de lacunas de transparência e falhas de responsabilidade.
Em uma era onde incidentes de cibersegurança aparecem regularmente nas manchetes e erodem a confiança pública, as lições de governança desta organização esportiva oferecem orientação valiosa. Ao construir governança de segurança com a mesma transparência e responsabilidade que exigimos de outras funções organizacionais, líderes de cibersegurança podem criar programas mais resilientes e confiáveis que resistam tanto a desafios técnicos quanto a pressões organizacionais.

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