A corrida do ouro pela migração para a nuvem está criando um paradoxo perigoso de segurança. À medida que as organizações correm para modernizar sistemas legados—desde mainframes com décadas de idade até aplicativos .NET e bancos de dados SQL Server—elas estão aproveitando ferramentas de automação cada vez mais sofisticadas que prometem transições perfeitas. No entanto, as equipes de cibersegurança estão se vendo marginalizadas nesse processo de modernização acelerada, criando o que especialistas alertam que poderia ser a próxima grande onda de violações de segurança na nuvem.
A corrida armamentista da automação
A recente introdução do Nova Act pela AWS representa um salto significativo na automação de migrações. Essa ferramenta movida por IA promete 'matar o Windows' automatizando interações de interface do usuário e fluxos de trabalho de aplicativos, potencialmente eliminando custos de licenciamento enquanto acelera migrações. Da mesma forma, a solução de modernização de mainframes da Precisely oferece replicação de dados em tempo real para o Amazon S3, prometendo mover dados empresariais críticos sem interrupção.
Essas ferramentas abordam pressões empresariais legítimas. Sistemas legados frequentemente carregam custos de manutenção exorbitantes, escassez de habilidades e problemas de compatibilidade. A promessa de redução de despesas operacionais—particularmente custos de licenciamento do Windows em ambientes AWS—cria incentivos financeiros poderosos para migração rápida.
A lacuna de segurança nos pipelines de modernização
Profissionais de segurança estão soando o alarme sobre o que acontece entre as fases de 'levantar' e 'mover'. 'Quando você automatiza a migração de um aplicativo de mainframe que nunca foi projetado para ambientes em nuvem, você não está apenas movendo código—está transplantando décadas de premissas de segurança que não se aplicam mais', explica Maria Rodriguez, CISO em uma empresa de serviços financeiros em transformação para nuvem.
O estudo de caso da DXC Technology com a plataforma de seguros de vida da Ivari ilustra essa tensão. Embora a migração tenha movido com sucesso sistemas centrais de seguros para a nuvem, a integração de segurança ocorreu principalmente em fases pós-migração em vez de ser incorporada ao longo do ciclo de vida de modernização.
Novas superfícies de ataque em sistemas legados nativos da nuvem
Aplicativos legados modernizados apresentam desafios de segurança únicos:
- Deriva de configuração: Ferramentas de migração automatizada frequentemente aplicam configurações de segurança em nuvem padrão que podem não se alinhar com o modelo de segurança original do aplicativo ou requisitos de conformidade.
- Complexidade de gerenciamento de identidade e acesso (IAM): Modelos de segurança de mainframe baseados em RACF ou ACF2 não se traduzem diretamente para sistemas IAM em nuvem, criando lacunas de permissão ou contas com privilégios excessivos.
- Lacunas na proteção de dados: Soluções de replicação em tempo real como a da Precisely podem mover dados sensíveis sem criptografia adequada ou controles de prevenção de perda de dados configurados para armazenamento em nuvem.
- Pontos cegos de monitoramento: Aplicativos legados modernizados por automação de interface podem não gerar logs nativos da nuvem ou se integrar com sistemas de gerenciamento de informações e eventos de segurança (SIEM).
O dilema da conformidade
Organizações de serviços financeiros, saúde e governo enfrentam desafios particulares. Sistemas legados frequentemente contêm controles de conformidade construídos ao longo de anos para atender regulamentações como HIPAA, PCI DSS ou SOX. A migração automatizada pode quebrar esses controles ou não recriá-los em ambientes em nuvem.
'Vimos casos onde regras de segurança de mainframe que levaram anos para serem refinadas são substituídas por grupos de segurança genéricos em nuvem durante a migração', observa o consultor de cibersegurança James Chen. 'A lacuna de conformidade não é descoberta até a próxima auditoria, momento em que dados sensíveis podem ter sido expostos.'
Recomendações para equipes de segurança
Para preencher a lacuna de segurança na modernização de sistemas legados, profissionais de cibersegurança devem:
- Exigir envolvimento antecipado: Equipes de segurança devem estar envolvidas desde os estágios iniciais de planejamento de modernização, não trazidas durante fases finais de teste.
- Desenvolver políticas de segurança nativas da nuvem: Criar estruturas de segurança específicas para aplicativos legados modernizados que abordem tanto vulnerabilidades herdadas quanto novos riscos específicos da nuvem.
- Implementar validação de segurança contínua: Implantar testes de segurança automatizados em todo o pipeline de migração em vez de confiar em avaliações pontuais.
- Focar na segurança de dados: Priorizar estratégias de descoberta, classificação e proteção de dados antes do início da migração, garantindo que criptografia e controles de acesso viajem com os dados.
- Construir habilidades de segurança híbridas: Desenvolver capacidades da equipe que compreendam tanto a segurança de sistemas legados (mainframe, Windows Server) quanto paradigmas de segurança em nuvem.
O caminho a seguir
A pressão para modernizar não diminuirá, mas a segurança não pode permanecer como uma reflexão tardia. Provedores de nuvem e fornecedores de ferramentas de migração devem construir capacidades de segurança em suas ofertas em vez de tratá-las como complementos. Enquanto isso, líderes de segurança devem defender abordagens de modernização que priorizem a segurança junto com velocidade e redução de custos.
O próximo ano provavelmente verá maior escrutínio regulatório das práticas de migração para nuvem, particularmente em indústrias regulamentadas. Organizações que incorporam segurança ao longo de suas jornadas de modernização não apenas reduzirão o risco, mas também acelerarão a realização de benefícios em nuvem—provando que a segurança habilita, em vez de impedir, a transformação digital.

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